Esse tal de puerpério


Ontem, conversando com uma pessoa sobre o início da maternidade, depois que o bebê chega nas nossas vidas, parei para pensar no quanto nós, mães de primeira viagem, sabemos pouco sobre esse momento, que não é nada fácil. Então resolvi escrever esse texto, porque acho que todas as mães têm que se informar sobre esse tal de puerpério .

Quando eu estava grávida fiz alguns cursos de gestante. Fiz achando o máximo, pensando que aquelas dicas me seriam fundamentais quando meu bebê nascesse. Eu estava me pre-pa-ran-do. Aprendi a trocar fraldas num boneco – que, obviamente, não se mexe, não chora, não tem vontades -, a amamentar na teoria, quando não há inseguranças, peito rachado, pega incorreta… até sobre higiene bucal dos bebês eu aprendi. Num dos cursos, porém, teve uma coisa que me chamou a atenção e que eu estava curiosíssima pra participar: uma roda de conversa com uma psicóloga, para falar do momento tão delicado que é o pós-parto e  o puerpério.

puerpério
Imagem: Internet

Já havia lido sobre as transformações psíquicas que a mulher sofre no pós-parto e o quanto essa fase é difícil. Por isso estava curiosa para saber mais e me preparar para o que estava por vir. Mas a conversa não passou de “é um momento delicado” ou “é bem difícil” e ainda “é um período bem cansativo”… gente, era uma roda com várias mães de primeira viagem e a conversa não foi nada esclarecedora. Sabe por quê? Porque é feio falar sobre o lado ruim da maternidade.

O período do pós-parto não é fácil. Não é bom! Claro que varia de mulher para mulher, mas o puerpério é mesmo um momento muito delicado. Delicado porque a gente sente e pensa coisas difíceis demais e, pior, que não podem ser ditas. Pois é, a sociedade acha feio, o facebook exclui, por isso você se cala e carrega uma culpa gigante por sentir e pensar tantas e tantas coisas “proibidas” para uma mãe.

Puerpério não são só as transformações no corpo da mulher no pós-parto, como as principais buscas do google explicam. Isso é o de menos. É um período de muita insegurança, hormônios à flor da pele, incertezas e choro, muito choro.

Você está horrorosa, bucho caído, olheiras. Não consegue nem se olhar no espelho. Está com uma vida ali na sua frente que é totalmente dependente de você, mas você está tão cansada que acha que não vai dar conta. Pior: você, que queria tanto ser mãe, se questiona se era mesmo a hora de ter um filho. Você, que está privada de descanso, com a cabeça pesada, num nível de exaustão que nem sabia que existia, tem que estar firme, de pé, e dar conta de um bebê que chora o tempo todo e você não sabe o porquê. A hora do seu banho e das suas refeições não é você quem vai escolher. Aliás, seu tempo é calculado de acordo com as mamadas. A rotina te enlouquece! E seu peito? Tá rachado, doído, porque não, amamentar não é instintivo. E ainda tem mais: apesar de tudo, você não pode ficar estressada porque “o bebê sente” – e sempre vai ter alguém do lado para te lembrar disso.

Você se cobra por querer ser a melhor mãe do mundo. As pessoas chegam para ver o bebê e te dão milhares de pitacos que enchem – MUITO – o saco! E você vai se sentir sozinha, vai querer colo… mas ninguém costuma perceber isso – e você não está doida de pedir, né?! Que coisa feia!

Pensa que é fácil sentir tudo isso? Não! Quando você olha para a carinha do seu bebê fica pior. No banheiro, você chora com uma culpa gigante por estar achando ruim certos momentos. Porque sim, são momentos difíceis e não adianta dizer que é delicioso o início da vida como mãe porque não é.

Não estou falando de amor! Não tem nada a ver com isso. Esse é mesmo o maior do mundo, como todas as mães dizem. Filho é uma maravilha, mas esse começo da maternidade não é não. As coisas começam a ficar gostosas quando esse momento inicial passa, vai por mim. Mas enquanto você está naquele turbilhão de sensações contraditórias, entre sentir um amor que não cabe no peito e querer sumir por um tempo, você chega a achar que não vai passar. Mas, ufa, aquilo passa.

E, aí sim, você começa a curtir a maternidade.

E quer saber? Esse momento é difícil para todas nós, por isso mesmo é tão importante falar sobre ele, colocar para fora. Quando tive a oportunidade de conversar com outras mães de primeira viagem, que não tiveram medo de expor seus sentimentos, me senti mais leve, mais “normal”. Sim, porque isso é mais comum do que se pensa. Esse é o tal do puperpério. Depressão pós-parto é outra coisa, que graças a Deus eu não tive para contar como é. Mas muitas mães, ao se sentirem perdidas no meio desses sentimentos tortos, confundem uma coisa com a outra. Por isso é tão importante falar sobre esse momento!

Não é feio sentir tudo isso. É comum, por mais que te façam pensar que não. Mas não é nada fácil mesmo, ainda mais sabendo que você vai ser julgada por um tribunal horrível que é o das mães se colocar tudo pra fora. Mas quer saber? A gente precisa MESMO falar sobre o puerpério! E você não vai ser menos mãe ou amar menos seu filho por conta disso. 😉


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