O melhor Carnaval das nossas vidas


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Imagem: Internet

Foi no sábado de Zé Pereira, umas 7h, enquanto boa parte de Pernambuco tomava café da manhã e vestia suas fantasias para ir ao Galo da Madrugada, que descobri, ainda meio sem acreditar, que seria mãe.

No dia anterior havia sido a abertura do Carnaval do Recife, festa que mora do meu coração. Mas esse ano as coisas estavam diferentes. Eu, que sempre costumo organizar milhares de fantasias, fazer roteiros e anotar toda a programação carnavalesca para não perder nada, não estava sentindo a MENOR vontade de curtir a folia de momo. “Por que eu tô assim?“, me perguntava na semana do Carnaval. Mas não era possível. Quando chegasse a hora e eu visse os fogos no Recife Antigo anunciando a chegada da festa mais esperada do ano, meu coração voltaria a bater normalmente.

Só que isso não aconteceu. Pelo contrário! Enquanto eu via as pessoas rindo, felizes, frevando e dançando maracatu pelas ruas do bairro do Recife, ficava me perguntando o que eu estava fazendo ali. Minha vontade era estar em casa, vendo televisão e comendo besteira, jogada no sofá. Essa não era eu. “Eu tô ficando velha, pronto. Tenho que aceitar“, era o que eu pensava.

Até que, depois de lanchar um enorme sanduíche, não aguentei mais, virei pro meu marido e disse: “vamos embora daqui, por favor!Ele me olhou incrédulo: “Oxe, namorada, tá massa!” Eu não conseguia acreditar que alguém estava achando aquilo massa. “Pois eu estou achando um SA-CO! Minha vontade é jogar uma BOMBA aqui!“. João me olhava como se estivesse me procurando em mim mesma. Realmente aquela não era eu. Enquanto eu falava, também não me reconhecia. Saímos do Recife Antigo, atravessamos a ponte Buarque de Macedo, tudo em silêncio. João “arretado” porque estava indo embora e eu tentando me entender.

Naquela noite eu demorei pra conseguir dormir. Fiquei por muito tempo questionando meu comportamento, achando que eu estava muito chata sem motivos e dizendo para mim mesma que 29 anos é pouca idade para uma mudança tão radical.

Acordei antes das 7h no dia seguinte, o tão esperado sábado de Carnaval. Eu ainda estava estranha e alguma coisa me dizia que meu comportamento estava alterado por outra razão. Fui até o banheiro e resolvi usar o teste de farmácia que estava guardado na gavetinha dos remédios (como eu já havia parado de tomar o anticoncepcional, já tinha um teste para quando viesse a desconfiança). “Vai que eu tô grávida. Se tiver, melhor saber pra não extrapolar no Carnaval”. Eu não tinha motivos reais ainda para desconfiar da gravidez, afinal ainda não tinha nem dado tempo da menstruação atrasar.

Fiz o xixi direitinho como mandavam as instruções, deixei o exame num canto e fui escovar meus dentes. Olhei de relance depois para ver se alguma coisa havia acontecido e… TCHARAM! Lá estava a segunda linha rosa, bem fraquinha, mas presente. “Será que eu tô vendo direito? Ai meu Deus, será que eu tô grávida?!”.

Corro para acordar o pai.

– Namorado, acorda. Preciso falar contigo.

– Oxe, namorada, peraí.

– É que eu acho que sei porque eu tava tão chata ontem.

– Mas namorada, a gente conversa depois, tá muito cedo.

– É que eu acho que tô grávida!

Pronto. Em meio segundo João já estava em pé, me olhando com os olhos arregalados e um sorriso no canto da boca. “Eita…”

Mostrei o exame… “quantas linhas tu vê aqui?”  Ele também via duas.

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Nós dois estávamos bestas. Não sabíamos se podíamos pular de alegria logo ali. Então, na contramão da maioria dos pernambucanos, vestimos uma roupa normal, sem brilhos ou lantejoulas, e fomos, não pra Olinda ou para o centro da cidade, mas para a emergência do Hospital Santa Joana, onde fiz o exame de sangue que, lá pras 13h, confirmava que já éramos uma família maior.

Foi isso. O dia mais feliz e importante das nossas vidas tinha que ser mesmo na festa mais querida da gente.

Depois disso, curti o Carnaval com o maior sorriso no rosto, muitas fantasias e sem nenhuma gota de álcool no sangue.

O melhor Carnaval das nossas vidas!

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