Como Theo chegou ao mundo, parte 2


Tô começando a escrever esse texto sem saber se consigo terminar… mas vamos lá.

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Sempre que eu pensava no nascimento de Theo, me imaginava segurando ele nos braços como nessas fotografias lindas que vejo de partos na água. Como contei lá no relato de parto, isso não seria possível porque precisei de uma analgesia e tive que ir pro bloco cirúrgico. Mas tudo bem, ainda continuei imaginando que ele viria pro meu colo, a gente ficaria sorrindo ali pra ele grudadinho, depois ele ia mamar e dormir no meu peito. Só que ele chegou chegando e provou que as coisas não acontecem só como a gente imagina…

Theo saiu e veio pro meu colo, mas não do jeito que eu pensei. Veio largado, molinho… “Por que ele não tá chorando?” Nada de colo, cheirinho, peito, sorrisos. A pediatra pegou, levou ele para uma “mesinha” ali do lado e eu, meio anestesiada por toda aquela experiência, fiquei sem entender direito o que estava acontecendo. “Calma, Camila, ele vai ficar bem, a gente tá cuidando dele”. O que aconteceu foi que a danada da placenta resolveu descer junto com Theo, ao invés de ficar lá dentro enviando oxigênio para ele. Assim, ele sofreu uma hipoxia, que é uma falta de oxigênio no cérebro. E isso é grave. Mas até então eu não estava entendendo nada direito.

Fui para a maca fazer os reparos necessários enquanto Theo estava sendo cuidado e logo me tranquilizaram dizendo que ele estava bem, tinha recuperado a respiração rapidinho. Um tempo depois ele veio pra cima de mim, abriu os olhinhos, me viu! Não vou esquecer nunca aquele olharzinho. Eu queria ficar ali com ele, sentindo seu cheirinho, mas a pediatra me explicou que ele precisava ser observado na UTI.

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A primeira vez no colo a gente nunca esquece <3

As coisas na minha cabeça ficaram embaralhadas a partir daquele momento. Eu estava feliz com meu parto, mas estava também muito triste e com muito, mas muito medo. Mas tudo isso sem entender direito. Lembro que os acontecimentos à minha volta foram ficando meio distantes, sei lá… eu estava ali, mas era como se não estivesse. Não sei explicar. Sei é que para esse tipo de situação a gente nunca está preparado!

Fui na maca de volta pro quarto, sem meu bebê. Eu tinha um filho, mas ele não tava ali comigo. Tinha um buraco para preencher dentro de mim e eu sabia que ele só iria ser completo com Theo do meu lado. A família chegou, alguns amigos foram visitar. Eu conversava, mas com aquela sensação de não estar por inteiro ali.

Enfim, não quero entrar em detalhes porque acho que não estou preparada pra viver de novo tantas emoções. O que posso dizer é que os dias após o nascimento de Theo não foram fáceis. Ouvi as palavras mais duras da minha vida. Vi meu filho como não queria ver. Chorei um bocado. Até me belisquei escondida no banheiro pra ter certeza que aquilo não era um pesadelo. Infelizmente não era.

Mas, apesar da gravidade da situação e de eu estar bem abalada (claro!), muitas coisas boas aconteceram. Eu fiz amigos incríveis. A equipe do hospital Santa Lúcia me acolheu de uma forma que eu não me sentia paciente, parecia uma visita amiga. Eu recebi abraços, mensagens, ligações, força de um “sem número” de pessoas que fizeram uma corrente de pensamento positivo para Theo. Eu e João nos sentimos acolhidos e queridos demais! Nunca vou esquecer! Cada mensagem, cada palavra, cada gesto, por menor que fosse, dava ainda mais força para a gente acreditar que tudo ficaria bem. A família, então, nem se fala. Se já éramos unidos antes, depois do ocorrido temos um laço ainda mais forte.

(tá difícil escrever isso aqui, viu! Pera que vou enxugar o teclado. hehehe)

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Já no quarto com o papai

Um agradecimento em especial aos meus amigos eternos, Dr Renato e Suzely. Nunca vamos esquecer o jeito como eles cuidaram da gente, bem longe da relação médico-paciente que a gente conhece. As conversas, risadas, momentos únicos proporcionados por eles… seria lindo se todos os médicos fossem tão humanos como essa equipe.

E o que falar de João?! Eu sempre admirei demais ele, o jeito como ele vê a vida, as coisas que pensa, a calma que eu não tenho… João é muito mais que meu marido. E naquele momento ele foi meu tudo! Meu braço, minhas pernas, minha coluna, sei lá… Teria desabado sem ele. Mas a energia e luz que ele transmite me fazia ter ainda mais certeza que tudo daria certo. Quem conhece sabe do que estou falando.

Mas o mais incrível nessa história toda foi meu guerreirinho Theo. Cada visita a ele na UTI era uma sensação nova e ele renovava as nossas forças. Apesar de ouvirmos algumas vezes que ele tava muito largado, pra gente ele mostrava outra coisa. Ele sempre reagia à nossa presença para mostrar que “ei, calma aí que já já eu saio daqui”. E antes de ir embora eu sempre me despedia dele com um “fica firme aí, tá?! E não esquece: o amor transforma”!

E não é que transformou?! Não deixamos de acreditar, de amar, de pensar positivo (claro que há momentos tensos, de fraqueza). E Theo foi melhorando, melhorando, até que saiu da UTI, foi pro quarto, veio pra casa. E aqui quando chegou eu desabei. Chorei até ensopar a roupa. Choro de alívio, de alegria, de amor, de um monte de coisa junto.

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Enfim, saindo do hospital

Theo foi muito guerreiro! É a nossa bolinha de luz. E agora, no fim no ano, recebemos a notícia mais esperada. O eletroencefalograma dele deu tudo normal. Ele vai continuar sendo acompanhado por fisioterapeuta e neurologista, mas ele tá incrível, se desenvolvendo acima da média até.

Enfim, nossa história juntos começou assim, cheia de emoções, de lições, aprendizados… Nosso Theo já chegou mostrando ao mundo que a união entre as pessoas, o pensamento positivo, a fé e o AMOR são capazes de transformar.

Teria muito mais coisa para escrever por aqui, mas já tô com um nó na garganta só de lembrar.

Agora é so curtir cada segundinho precioso dessa vida ao lado do nosso Tereréu.

theoemcasa


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