Relato de parto: como Theo chegou ao mundo


Na madrugada da quarta-feira, 21 de outubro, sonhei que sangrava e me perguntava: “desde quando grávida menstrua?”. Acordei meio atordoada e fui tomar banho. Era dia de consulta com Dr. Renato, meu obstetra. Quando terminei, senti algo quente escorrendo em mim. Estava sangrando! Aquele sangue vermelho vivo me pareceu estranho e logo me botou medo, principalmente depois do sonho que tive.

Acordei João, nervosa, e tratei de ligar para Dr. Renato. Ansiosa que só eu, não ia conseguir esperar até chegar ao consultório. Ele me tranquilizou, com a calma que lhe é peculiar, dizendo que era normal e que o colo do útero deveria estar se abrindo. Terminei de me arrumar, ainda nervosa, e antes de sair de casa, ao ir ao banheiro mais uma vez, me dei conta que o tal “tampão mucoso” estava saindo. Abri aquele sorrisão! Era sinal de que o trabalho de parto poderia estar perto de acontecer.

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A consulta foi ótima. Pressão 9×6, posição de Theo ótima para nascer, batimento cardíaco normal… Me despedi de Dr. Renato com aquela sensação de “até breve”.

Ao longo do dia, pequenas cólicas começaram a aparecer e o tampão continuou saindo. Cada ida ao banheiro me deixava mais feliz – e mais ansiosa também, claro. Tirei uma foto para registrar aquele que já anunciava ser meu último dia de grávida. Escrevi no diário para Theo, contando o que estava acontecendo e como estava feliz em ver que logo, logo ele estaria no meu colo.

No início da noite as cólicas eram mais intensas e frequentes. Eu e João fizemos um jantarzinho especial, com gosto de “despedida” da vida sem filho. Pouco tempo depois as “dorezinhas” já estavam ritmadas. Hora de ligar para Janalisse, a doula que iria me acompanhar. Ela me orientou a baixar um app chamado “contrações”, para a gente ver como estava a evolução. Fomos marcando sempre que vinha uma contração e depois de um tempo enviamos o relatório para ela.

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Sim, eu já estava iniciando meu trabalho de parto propriamente dito lá pelas 19h30. A gente estava muito, muito feliz! Dei um jeito na minha franja, tomei um banho morno, depilei as pernas, cortei as unhas, checamos as coisas de levar para a maternidade… Jana chegou, comemos mousse de maracujá e conversamos um pouco. As contrações passaram a ser mais frequentes e doloridas. Jana fez massagem, colocou cheirinho gostoso e relaxante pela casa, alisou meu cabelo, me ofereceu a bola para sentar… A partir de certo ponto já não lembro com tantos detalhes de tudo. Fui ficando meio grog, sei lá.

Lá pelas tantas senti que era hora de ir pro hospital. Chegamos no Santa Lúcia por volta da meia-noite. Dr. Renato e Suzely, enfermeira, estavam na porta à nossa espera. Saí do carro recebendo abraços calorosos, como de costume. Subi no elevador agarrada em Suzely. Naquele momento percebi que estava mesmo acontecendo, que o momento tão esperado havia chegado e eu estava com a equipe mais incrível que poderia ter. Aqueles abraços, sorrisos e conversas me confortavam.

Suzely fez o toque. Estava com 6 para 7 cm de dilatação. A bolsa estourou! Senti aquele líquido quentinho descendo pelas minhas pernas e achei graça, uma delícia! Fiquei na cama do quarto enquanto enchiam a piscina com água morna. Pedi para ir ao banheiro. Não lembro direito, mas acho que até nessa hora lá estava Jana, segurando minha mão e alisando meu cabelo.

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Pausa para uma confissão: sempre me angustiava a possibilidade – muito provável – de fazer cocô durante o trabalho de parto. Tinha ficado mais tranquila porque em casa tive uma dorzinha de barriga, mas lá no hospital fui de novo no banheiro. E depois fui de novo várias vezes ao longo do processo. E quando digo isso não estou mais falando em privada, não. Foi cocô no chão, na cama, acho até que na banheira. Lembro de sempre dizer alto: “eu tô fazendo cocô!” e sempre escutava de volta: “é assim mesmo, pode fazer…” E quer saber?! Não tive o MENOR pudor. Aliás, você perde completamente qualquer vergonha nessa hora (pelo menos comigo foi assim). Você vira bicho! A primeira coisa que quis fazer quando cheguei lá foi tirar a roupa completamente. Até fui com um top bem confortável, pensado especialmente para aquele momento, mas não quis usar. Não queria nada me prendendo. Queria total liberdade. E foi o que tive. Fui respeitada nas minhas escolhas o tempo inteiro por aquela equipe linda que me acompanhava.

Eu já tinha lido que as contrações eram como ondas do mar. Elas vinham fortes e depois tinha um momento de calmaria até chegar a próxima onda… Eu só pensava nisso durante o trabalho de parto. Cada vez que sentia a dor chegando, me imaginava num marzão com uma onda imensa se aproximando. E eu tinha que encarar e mergulhar fundo. Sabia que dali a pouco ela ia passar. E era assim, ela sempre passava. Mas eu pensava também que havia sido forte demais, não ia aguentar a próxima. E aí pensava que já tinha dito aquilo antes e continuava aguentando. Então iria suportar, sim. E foi assim ao longo das horas…

A piscina é a coisa mais incrível realmente. Passei horas ali na água morna, uma delícia. É tão relaxante que as contrações ficaram mais espaçadas depois que entrei nela. Enquanto fora eu tinha umas quatro em 10 minutos, na piscina passou para três. Entre uma e outra eu dormia lá, com a cabeça encostada na borda… João estava sempre comigo, segurando minha mão, me abraçando e, claro, tocando suas músicas pra gente. O ambiente também era acolhedor o tempo inteiro, com cheirinho gostoso, luz baixa, conversas agradáveis e muita atenção comigo.

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Já de manhã as coisas começaram a acontecer de um jeito que eu não havia planejado. A cabecinha de Theo não estava totalmente encaixada, estava meio de ladinho, tipo “pode quebrar o pescocinho pro lado”, sabe?! Tentamos algumas posições diferentes para ver se ele se ajeitava, mas não rolou. O  jeito era tomar uma analgesia pra relaxar mais o colo do útero e, assim, ele encaixar.

Lá fomos nós pro bloco cirúrgico. Fiquei um pouco frustrada por não poder mais ter meu filho na piscina e ter que vestir aquela roupinha verde de hospital que tenho pavor, mas já estava tão cansada nessa hora que nem pensei muito. A dose foi pequena e por pouco tempo foi que fiquei sem sentir as dores, logo elas voltaram. Realmente é um alivio grande, mas você também fica meio sem saber direito quando fazer a força. Na hora do expulsivo eu já sentia tudo e posso dizer que o nome “círculo de fogo” é muito bem empregado.

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A sensação na hora da expulsão é um negócio transformador mesmo. Eu sentia tudo queimar muito, mas ao mesmo tempo era uma dor boa, porque você sabe exatamente que seu bebê está ali, descendo. Nessa hora eu me via como uma leoa, capaz de enfrentar qualquer coisa pelo meu filho. Me agarrei na banqueta e fiz força, muita força, como nunca imaginei que fosse suportar. Mas eu estava mesmo disposta a tudo por ele. E sabia que estava pertinho de ver meu Theo, tão esperado.

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O coraçãozinho estava normal o tempo inteiro, o toque mostrava que estava pertinho… tudo dentro dos conformes, indo bem demais. E depois de uma contração forte, que me queimou por completo e me fez gritar alto, Theo nasceu, às 10h45 do dia 22 de outubro, completando as 39 semanas de gestação e no último dia de libra. <3

(continua no próximo post…)

*Fotos da enfermeira amiga linda, Suzely.


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