Sobre o tempo e a ansiedade de uma mãe


Eu sou uma pessoa ansiosa. Fico sempre imaginando à frente, sinto frio na barriga por coisas que ainda estão para acontecer, sejam elas boas ou ruins. Com a maternidade não seria diferente…

No primeiro mês de vida, naquela agonia toda que envolve esse período, com tantas dúvidas, hormônios e sentimentos à flor da pele, eu só queria que Theo completasse um mês, pois todo mundo dizia que tudo melhorava depois desse primeiro momento. Ufa, cheguei nesse ponto e realmente as coisas foram ficando mais tranquilas.

Quando ele ainda não sorria, eu lembro de pensar “quero tanto ver ele sorrir pra mim”! E esse momento chegou. Depois ficava imaginando como seria bonitinho quando ele tivesse segurando seus próprios brinquedinhos. Ele passou a segurar. “Quando é que ele vai estar rolando?” De repente, lá estava ele, de um lado e para o outro. “E os dentinhos, quando será que aparecem?” E lá estava aquela pontinha branca saindo e me mostrando porque meu gordinho estava tão irritado um tempo antes. Mas o que eu queria mesmo, desde sempre, era ver ele sentadinho. E agora ele está alcançando mais esse marco.

Hoje de manhã, quando ele acordou, eu estava com a cabeça pesada, de quem não dormiu tudo o que precisava. Ele mamou, brincamos e depois de um tempo ele começou a reclamar com sono. Coloquei no Spotify o CD do Grande Encontro (sim, ele adora!) e logo ele estava cochilando no meu colo. Organizei um cantinho na minha cama, que ainda estava desarrumada, deitei ele e fiquei ali no seu lado, olhando aquela boquinha, o ronquinho que ele tem, a mãozinha aberta, o pezinho gordo, o cabelinho loirinho que está crescendo, a testa arranhada da unha que cresce num piscar de olhos – e que é uma briga para cortar…

theo dormindo

E aí me veio aquele frio na barriga. “Meu Deus, como passa rápido!” Os olhos marejaram e eu queria que o tempo parasse ali, naquela hora, sem ansiedade para saber o que vem pela frente. Sem preocupação para saber quando ele vai dormir a noite toda, fazendo com que eu acorde sem dor de cabeça. Sem pensar no dia em que ele vai verbalizar o que quer e eu não vou ter que ficar “adivinhando” o que cada chorinho quer dizer.

Daqui a pouco, quando isso tudo acontecer, outras coisas vão ficar para trás. Detalhes que eu amo! Já já ele vai estar grande a ponto de eu não poder colocá-lo para dormir no meu colo. Em outro momento não vai mais ter grude comigo no sling para eu carregar para cima e pra baixo quando bem entender. Em pouco tempo, também, o nosso aconchego enquanto ele mama não vai mais existir. Pior: logo, logo ele vai crescer e não vai querer saber nem dos apertos e beijos que eu dou o dia inteiro na bochechinha gorda dele.

Uma hora as noites mal dormidas vão passar, os choros vão diminuir, as costas vão parar de doer… Mas todos esses momentinhos nossos também se vão com o tempo. E virão outros e mais outros e mais outros… E cada um deles é único e especial, não é mesmo?

E eu aqui pensando lá pra frente?

Não, Camila! Para e vive só cada instante lindo desse AGORA.

(mas que eu tô doida para que ele comece a chamar mamãe, ah, isso eu tô! #ansiosa)

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